Isaque Chama Esaú
Isaque, cego e se preparando para morrer, manda Esaú buscar uma refeição. Rebeca veste Jacó com peles de cabrito para roubar a bênção, e Isaque a entrega. Não há segunda bênção para Esaú, apenas uma palavra dura, e Jacó precisa fugir para salvar a vida.
27 1Quando Isaque envelheceu e seus olhos já não enxergavam por causa da fraqueza, chamou Esaú, seu filho mais velho, e lhe disse: “Meu filho.” Ele respondeu: “Eis-me aqui.”
2Isaque disse: “Vê, estou velho; não sei o dia da minha morte. 3Agora, pega as tuas armas — a tua aljava e o teu arco —, sai ao campo e caça alguma caça para mim. 4Depois faze-me a comida saborosa que eu amo, traze-a para eu comer, a fim de que a minha alma te abençoe antes que eu morra.”
5Rebeca escutava enquanto Isaque falava a seu filho Esaú. Esaú saiu ao campo para caçar e trazer a caça. 6Rebeca disse a Jacó, seu filho: “Ouvi teu pai dizer a teu irmão Esaú: 7‘Traze-me caça e faze-me uma comida saborosa para eu comer, a fim de que eu te abençoe diante do nosso Pai antes que eu morra.’ 8Agora, pois, meu filho, ouve a minha voz e faze exatamente o que eu te ordeno. 9Vai ao rebanho e traze-me de lá dois bons cabritos, para que eu faça deles uma comida saborosa para teu pai, como ele ama. 10Então tu a levarás a teu pai para que ele coma, a fim de que ele te abençoe antes de morrer.”
11Jacó disse a Rebeca, sua mãe: “Vê, Esaú, meu irmão, é homem cabeludo, e eu sou homem liso. 12E se meu pai me apalpar? Parecerei a seus olhos um enganador e trarei sobre mim uma maldição, e não uma bênção.”
13Sua mãe respondeu: “Meu filho, que a tua maldição caia sobre mim; apenas ouve a minha voz: vai e traze-mos.”
14Então Jacó foi, pegou os cabritos e os trouxe a sua mãe, que fez a comida saborosa que seu pai amava. 15Depois Rebeca pegou as melhores roupas de Esaú, seu filho mais velho, que estavam com ela em casa, e vestiu Jacó, seu filho mais novo. 16Com as peles dos cabritos cobriu-lhe as mãos e a parte lisa do pescoço. 17Então pôs nas mãos de Jacó, seu filho, a comida saborosa e o pão que havia preparado.
18Jacó veio a seu pai e disse: “Meu pai.” Ele respondeu: “Eis-me aqui. Quem és tu, meu filho?”
19Jacó disse a seu pai: “Eu sou Esaú, teu primogênito. Fiz como me disseste. Levanta-te, peço-te, senta-te e come da minha caça, para que a tua alma me abençoe.”
20Isaque perguntou a seu filho: “Como a encontraste tão depressa, meu filho?” Ele respondeu: “Porque o teu Pai fez com que eu tivesse êxito.”
21Isaque disse a Jacó: “Chega-te, peço-te, meu filho, para que eu te apalpe e saiba se és realmente meu filho Esaú ou não.”
22Jacó chegou-se a Isaque, seu pai, que o apalpou e disse: “A voz é a voz de Jacó, mas as mãos são as mãos de Esaú.” 23Isaque não o reconheceu, porque as mãos de Jacó estavam tão cabeludas como as mãos de Esaú, seu irmão; por isso o abençoou. 24E perguntou: “És tu realmente meu filho Esaú?” Ele respondeu: “Eu sou.”
25Isaque disse: “Serve-me da caça de meu filho, para que a minha alma te abençoe.” Jacó lha serviu, e ele comeu; trouxe-lhe também vinho, e ele bebeu.
26Então Isaque, seu pai, lhe disse: “Chega-te, peço-te, meu filho, e beija-me.” 27Jacó chegou-se e o beijou. Isaque sentiu o cheiro de suas roupas, abençoou-o e disse: “Eis o cheiro de meu filho, como o cheiro de um campo que o nosso Pai abençoou. 28Que o nosso Pai te dê do orvalho do céu e da fertilidade da terra, e abundância de trigo e de vinho novo. 29Sirvam-te povos, e nações se curvem diante de ti. Domina sobre teus irmãos, e curvem-se diante de ti os filhos de tua mãe. Malditos sejam os que te amaldiçoarem, e benditos os que te abençoarem.”
30Logo que Isaque acabou de abençoar Jacó, e mal havia Jacó saído da presença de Isaque, seu pai, chegou Esaú, seu irmão, da caçada. 31Também ele fez uma comida saborosa, trouxe-a a seu pai e lhe disse: “Levanta-te, meu pai, e come da caça de teu filho, para que a tua alma me abençoe.”
32Isaque, seu pai, lhe perguntou: “Quem és tu?” Ele respondeu: “Eu sou teu filho, teu primogênito, Esaú.”
33Isaque estremeceu violentamente e disse: “Quem foi, então, que caçou a caça e ma trouxe? Comi de tudo antes que tu viesses, e o abençoei — e, sim, bendito ele será!”
34Quando Esaú ouviu as palavras de seu pai, soltou um grito muito alto e amargo e disse a seu pai: “Abençoa-me também a mim, meu pai!”
35Isaque respondeu: “Teu irmão veio astutamente e tomou a tua bênção.”
36Esaú disse: “Não é com razão que se chama Jacó? Pois já duas vezes me enganou: tomou o meu direito de primogenitura e, agora, tomou a minha bênção.” E perguntou: “Não reservaste uma bênção para mim?”
37Isaque respondeu a Esaú: “Eis que o constituí senhor sobre ti, dei-lhe todos os seus irmãos por servos e o sustentei com trigo e vinho novo. Que, pois, poderei fazer por ti, meu filho?”
38Esaú disse a seu pai: “Tens apenas uma bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai!” E Esaú chorou em alta voz.
39Então Isaque, seu pai, lhe respondeu: “Eis que a tua habitação será longe da fertilidade da terra e longe do orvalho que desce do céu. 40Viverás da tua espada e servirás a teu irmão. Mas, quando te tornares errante, quebrarás o jugo dele do teu pescoço.”
41Esaú guardou rancor contra Jacó por causa da bênção que seu pai lhe dera, e disse consigo mesmo: “Estão próximos os dias de luto por meu pai; então matarei meu irmão Jacó.”
42Contaram a Rebeca o que Esaú, seu filho mais velho, havia dito; então ela mandou chamar Jacó, seu filho mais novo, e lhe disse: “Eis que Esaú, teu irmão, consola-se a teu respeito, tencionando matar-te. 43Agora, pois, meu filho, ouve a minha voz: levanta-te e foge para junto de Labão, meu irmão, em Harã. 44Fica com ele por algum tempo, até que passe o furor de teu irmão, 45até que se desvie de ti a ira de teu irmão e ele se esqueça do que lhe fizeste. Então mandarei trazer-te de lá. Por que perderia eu os dois num só dia?”
46Rebeca disse a Isaque: “Estou enfadada da minha vida por causa destas mulheres hititas. Se Jacó tomar por esposa uma das filhas de Hete, uma das mulheres desta terra, para que me servirá a vida?”